Saturday, September 09, 2006

AVOA – Associação dos Votantes Anônimos

Já fui um votante! Tudo começou muito tarde, quando eu tinha 18 anos. As discussões sobre política me envolviam muito e eu sentia uma forte necessidade de me enturmar. Além disso, havia as pressões lá de casa para eu virar militar e, em protesto, passei a militar com os partidos anti-sistêmicos. Comecei aos poucos. Primeiro o voto de protesto. Depois passei a votar no PCO e no PSTU. Acreditava que meu voto nunca valeria nada mesmo e que eu poderia parar quando quisesse (pausa triste).

Mas o desejo de “influenciar o sistema” me dominou. Os jingles começaram a fazer meu coração bater mais rápido e às vezes me pegava num transe psicodélico com as cores dos partidos. Para piorar a situação, entrei num partido! Lá encontrei outros votantes como eu que me incentivam a votar mais e mais. Finalmente, a esperança cega me fez votar no Lula (lágrimas escorrem neste momento). Eu não percebia, mas já estava viciado.

Quando dei por mim, já era tarde. Entretanto, sou um viciado em recuperação. Hoje, completo três anos, nove meses e oito dias sem votar graças à Deus. Não participo mais do partido, não voto nem para síndico, muito menos para representante de sala. Tenho medo até de enquete virtual. Mas sei que ainda estou em recuperação...

(Este foi o depoimento de MB 18. Sabemos que muitos jovens e adultos são viciados em votar. Parar é muito difícil, mas é possível! Nós da AVOA gostaríamos de ouvir o seu depoimento para que possamos nos fortalecer unidos.)

2 Comments:

Anonymous Mãe preocupada said...

Aleluia, irmãozinho, eu acredito na conversão. Também quero compartilhar meu testemunho.
Você ainda nem era nascido e eu já estava sendo conduzida para a trilha que leva ao voto, caminho tortuoso e difícil de largar. Saí de casa, lá no meio da roça, para estudar na cidade grande e meu velho pai já me avisava: “político é tudo igual, só lembra da gente quando é eleição”. Eu até queria acreditar, mas sabia que ele votava escondido lá nos candidatos de direita dele. Um dia, logo no primeiro dia da faculdade, conheci um moço, muito falante, muito cheio das certezas, que era do Partidão (pois é!). Para conseguir o rapaz eu resolvi que valia tudo, e mergulhei de cabeça no vício. Notei que tinha caído na sarjeta quando me vi batendo de porta em porta tentando convencer as pessoas a votar (nos comunistas, é claro!). Aí casei com o moço, tive filhos e fui perdendo o gosto. Hoje tento controlar meu marido, que está cada vez pior, coitado. Ele tem certeza que o voto na Heloísa Helena é a solução, quer até fazer um abaixo assinado de ex-comunistas em favor dessa senhora. E, o pior, tentou desencaminhar o menino mais velho, que mal fez 16 anos. Mas isso eu não deixei, não. Sabe como é mulher, né? Esconde o dinheiro do ônibus, deixa de passar a camisa para tirar a fotografia, essas coisas... Quando ele viu, já tinha passado o prazo -e o menino tem mais um tempo para crescer.

Sunday, September 10, 2006 5:05:00 PM  
Blogger Manezinho Birigüí said...

Sua história é muito sofrida mãe preocupada. Conviver com um viciado na causa operária ´muito problemático, sobretudo porque eles desenvolvem facilmente compulsões e alucinações. Vêem o capital financeiro em todos os lugares e passam a considerar qualquer tipo de oposição como ideologia burguesa. Sugiro tratamento psiquiátrico para seu marido!

Tuesday, September 12, 2006 9:49:00 AM  

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